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ALCOOLISMO E AS ORGANIZAÇÕES

Por que investir em Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos

“Sempre que o homem pode desenvolver-se, e isto também na empresa, sua motivação é mais elevada, e ele permanece saudável e produtivo. E sempre que seu desenvolvimento fica prejudicado por obstáculos e frustrações, sua motivação cai, e as probabilidades de adoecer e fazer uso de alguma droga aumentam”Dr.R.Amthauer Hoechst AG,1979

Resumo
O presente artigo discute a questão do alcoolismo nas organizações e justifica a necessidade de implantação de Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos (álcool), os quais visam o diagnóstico precoce e o encaminhamento dos indivíduos para Tratamento Neste sentido são citadas empresas brasileiras, multinacionais que buscando a melhoria da qualidade de vida de seus funcionários tem implantado o Programa de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos, visando a construção de relações mais justas. Ao focalizar o funcionário através destes programas, as ações destas empresas buscam a eliminação de problemas gerados pelo uso de drogas como, a falta de motivação, queda na produtividade, absenteísmo, gastos com doenças, perda de funcionários especializados, custos com treinamento, acidentes, deteriorização da eficiência. Nem todas as empresas possuem uma atitude positiva em relação aos Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos, a sociedade demanda de empresas que agreguem outros valores que não somente a maximação do retorno financeiro.

Palavras-chave: Alcoolismo – Prevenção – Recuperação.

1. Introdução
O ser humano sempre procurou fugir de sua condição natural cotidiana, empregando substâncias que aliviassem seus males ou que propiciassem prazer. À semelhança de certos animais, usuários intermitentes de drogas, o homem primitivo aparentemente mostrou-se portador de uma certa sabedoria, como se uma fronteira separasse o possível do perigoso (Calança-1991). Com o passar dos séculos, esse tipo de autoregulação e esse senso inato de limites desapareceram. O recurso às drogas, com uso inicial de cunho religioso ou médico,disseminou-se com o homem nas suas migrações, marginalizando-se ou tornando-se culturalmente aceitável ou até mesmo banal. Numa perspectiva Histórica pode-se dizer que a droga tornou-se um problema de saúde pública a partir da metade do século conforme menção de Rehseldt -1989. O álcool é a droga mais amplamente utilizada no mundo, nas diferentes culturas. A utilização desta substância no local de trabalho é parte integrante desse padrão de uso global. Nos séculos XVII e XVIII, o álcool era encarado e utilizado como uma substância psicoativa que aumentava o “rendimento” do trabalhador e permitia que esse se submetesse às condições mais adversas de trabalho. Logo o uso do álcool era estimulado pelo empregador e bem recebido pelo empregado, muitas vezes “pago” em parte, com quantidade de bebidas alcoólicas. O processo da Revolução Industrial no século XIX foi marcado pelo aparecimento de máquinas complexas para a época, pela necessidade de produção em larga escala, de mão de obra cada vez mais especializada e do cumprimento de prazos e rotinas de trabalho com elevada e constante produtividade. É fácil concluir que o uso de álcool nesses novos parâmetros de organização do trabalho traria significativos prejuízos.

A partir de então, o empregador passa a interessar-se pelos hábitos sociais e estilo de vida dos empregados, controlando-os ou procurando estratégias para isso Esse marco na mudança nas relações humanas de trabalho apenas iniciou um processo de valorização do bem-estar e da motivação do trabalhador através de Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes.Como uma estratégia de grande retorno financeiro para as empresas e não apenas uma “benevolência desinteressada” aos empregados, a valorização da presença de um Departamento de Recursos Humanos dentro das empresas, está cada vez mais sendo observado, além de uma mudança do paradigma de um controle rígido e coercitivo aos empregados para uma relação de parceria levando sempre em consideração o alcance da satisfação profissional, melhorando a motivação.

As maneiras de se lidar com o abuso de álcool devera mudar de uma perspectiva punitiva para uma perspectiva de educação e promoção de saúde, acentuando a importância do “capital humano”. O presente artigo pretende discutir a questão do álcool nas organizações e a premência de implantação de Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos dentro das mesmas.Este trabalho foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica,apesar das dificuldades encontradas em relação a bibliografias que tratem de programas de prevenção e recuperação do dependente de álcool, o que se encontra são pesquisas relacionadas à substância, o álcool propriamente dito. “O que dificultou também esta pesquisa foi o fato de dependentes químicos não aceitarem ser entrevistados por receio de punição ”Considerando a problemática do desemprego no Brasil é compreensível o Comportamento desses indivíduos. Conseguimos um caso para entrevista e através dele.

Procuramos mostrar a possibilidade de recuperação por meio de Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos, no caso o álcool.

2.O Álcool

O álcool contido nas bebidas utilizadas pelo homem é o etanol (álcool etílico) com o nome comercial e popular de álcool, substância psicoativa com capacidade de produzir alteração do sistema nervoso central (SNC), podendo, portanto modificar o comportamento dos indivíduos que dela fazem uso. Por ter efeito prazeroso, induz a repetição.

No corpo humano o etanol é metabolizado por oxidação. Sob condições normais, e de acordo com o peso da pessoa e seu estado de saúde, podem ser queimados diariamente de 5 a 15g de etanol. Aproximadamente 90% da oxidação processa-se no fígado. O próprio corpo humano produz de forma endógena do etanol em escala extremamente reduzida.Entre os danos físicos,destacam-se problemas circulatórios, alterações no sistema nervoso central, órgãos internos como fígado, estômago, esôfago e pâncreas são fortemente atingidos.

Com relação a estas conseqüências, deve-se salientar que uma vez interrompido o consumo de álcool e alcançada uma abstinência permanente, a grande maioria dos danos é reversível em graus que podem chegar ao completo restabelecimento.

O alcoolismo também conhecido como “síndrome da dependência do álcool”, é uma doença caracterizada por:

• Compulsão: necessidade forte ou desejo incontrolável de beber.Perda de controle:
imobilidade freqüente de parar de beber uma vez que o indivíduo já começou.
• Dependência Física: a ocorrência de sintomas de abstinência como náusea, suor, tremores,
e ansiedade, quando se para de beber após um período bebendo muito.
• Tolerância: Necessidade de aumentar as quantidades de álcool para sentir-se “alto”.

O alcoolismo tem pouco a ver com o tipo de álcool que uma pessoa ingere, há quanto tempo ou até mesmo quanto à pessoa bebe. Porém tem muito a ver com a necessidade incontrolável por álcool. Esta descrição do alcoolismo ajuda no entendimento do porque a maioria dos dependentes de álcool não consegue se valer só de “força de vontade” para parar de beber

(SENAD - 2000). Essas pessoas estão sob compulsão do álcool, uma necessidade tão forte quanto a sede ou fome. Enquanto alguns se recuperam sem ajuda, a maioria dos dependentes de álcool precisa de ajuda para recuperar-se da doença. Com apoio e tratamento adequados, muitos indivíduos são capazes de parar de beber e reconstruir suas vidas (SENAD-2000). Pesquisas apoiadas pelo Instituto Norte-Americano sobre álcool e o alcoolismo demonstraram que, para muitas pessoas, a vulnerabilidade ao álcool é herdada, vale ressaltar que aspectos do ambiente, como influências e a disponibilidade do álcool, também são influências significativas. O abuso de álcool difere do alcoolismo porque não inclui uma vontade incontrolável de beber, perda do controle ou dependência física e inclui menos tolerância do que o alcoolismo. O abuso de álcool está definido como sendo o padrão de beber acompanhado por uma ou mais das situações listados a seguir dentro de um período de 12 meses:

Fracasso nas responsabilidades no trabalho, escola ou lar;
Beber em situações fisicamente perigosas, como enquanto dirige ou opera máquinas;
• Ter problemas legais devido ao álcool, como ser preso ao dirigir alcoolizado ou por Ter causado lesões em alguém enquanto alcoolizado;
• Continuar a beber apesar de Ter problemas de relacionamento causados ou piorados pelo efeito do álcool.

Enquanto o abuso do álcool é basicamente diferente do alcoolismo, é importante notar que muitos efeitos do abuso de álcool, mas também são demonstrados por dependentes do álcool.O alcoolismo é considerado doença quando o permanente abuso de bebidas alcoólicas suscita dependência acompanhada de prejuízos biopsicosociais, detectáveis por métodos usuais de diagnóstico (SENAD-2000).

Esta dependência pode manifestar-se pela perda da capacidade de controlar a quantidade de bebida ingerida. O alcoolismo é um dos problemas que mais atinge as empresas. De 5 a 10% da população brasileira são alcoólatras
(REHFELDT 1989). É incontestável o grande número de prejuízos que o uso de bebidas Alcoólica traz quando feito no período de trabalho, o que tem gerado uma proliferação de políticas específicas de cada empresa endereçadas a esse problema.

Dentre os prejuízos encontram-se mais bem documentados o aumento do absenteísmo, a Diminuição de produtividade, elevação da taxa de acidentes, elevada taxa de renovação do quadro de funcional, prejuízo nas relações interpessoais e na imagem da empresa (GUIMARÃES e GRUBITS, 1999).

Se por um lado, as empresas têm avançado significativamente na otimização da jornada de trabalho, de modo que, mesmo reduzindo a jornada semanal, nas últimas décadas tem-se assistido a um aumento na produtividade, por outro lado, continuam lidando com o Absenteísmo (GUIMARÃES e GRUBITS, 1999). Os prejuízos resultam da redução da Produtividade decorrente das faltas, atraso em concluir tarefas e abandono do trabalho antes de completar a jornada. O abuso do álcool encontra-se entre os principais fatores responsáveis pela elevada taxa de absenteísmo (JELLENIK, 1947; THORPE e PERRY, 1959 –citado por GUIMARÃES E GRUBITS, Série Saúde Mental -1999), sendo estimado que os “bebedoresproblemas” apresentam duas a oito vezes mais faltas que os seus controles (MORAWISKI e COLS, 1990, BROSO e COLS, 1992, COOK e COLS, 1996 – citado por GUIMARÃES E GRUBITS, Série Saúde Mental -1999).

Os acidentes de trabalho também engrossam as listas de prejuízos causados pelo alcoolismo nas empresas, segundo o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) o álcool provocou 339 mil acidentes de trabalho no país em 2002. A legislação trabalhista considera acidente de trabalho desde o percurso de ida ao trabalho até o seu percurso de volta. Para as empresas, muitos acidentes de trânsito são, na verdade acidentes de trabalho. Neste caso específico, o estabelecimento de causa-efeito é bastante óbvio, já que o álcool é um depressor do Sistema Nervoso Central, com efeito, de sedação, redução da atenção e concentração, lentidão do pensamento e dos reflexos e dificuldade de coordenação motora,“síndrome” bastante propícia para predispor a acidentes. A depressão no SNC conduz a uma redução na eficiência e acurácia das tarefas em pessoas intoxicadas.
As substâncias psicoativas provocam alterações emocionais e de comportamento, sendo o álcool a mais difundida delas e de uso legalizado, é um importante fator que contribui para um prejuízo nas relações interpessoais e de trabalho. Dependendo do nível de álcool no sangue, pode desinibir predispor à agressividade, à ansiedade ou à depressão. Um dos aspectos mais densa e detalhadamente documentado é o das conseqüências orgânicas e comportamentais; as principais características e manifestações das várias fases da evolução da doença, com principal destaque para o aspecto profissional, estão relacionados a seguir abordando os riscos provocados no trânsito com veículos conforme a porcentagem de álcool contida no sangue (MUELLER–WICHARDS, RUHBERG, Spata – Álcool na Empresa e no Local de Trabalho).

• 0,2% - Cai à capacidade de avaliação para fontes de luz em movimento. De noite não se consegue mais avaliar a distância de veículos que se aproximam em sentido contrário.
• 0,3% - Fica prejudicada a avaliação de profundidade de espaços. Isto provoca ultrapassagens arriscadas e reduzidas em relação a veículos na frente. A possibilidade de acidentes dobra.
• 0,6% - Objetos localizados parecem ao observador mais distante do que na realidade estão. Assim enxerga uma curva mais distante do que sua posição real. Entra possivelmente com velocidade excessiva na curva, erra o vértice e se perde. A sensibilidade da vista para a luz vermelha diminui a percepção de semáforos, locais de obra ou luminárias traseiras e de freios fica alterada. Torna-se difícil a rápida adaptação de luz alta para baixa.
• 1,0% - A capacidade de adaptação a repentinas diferenças de luminosidade é sensivelmente prejudicada. Reconhece-se tarde demais pedestres, ciclistas, veículos estacionados ou objetos na pista – o campo de visão fica consideravelmente estreito. Não se percebendo o que vem da direita ou da esquerda. A percepção e avaliação de
profundidade do espaço, bem como a atenção fica reduzida, escolhe-se tarde demais ou nunca. O tempo de reação fica mais prolongado, o percurso de frenagem mais longo.
• 1,3% - Neste ponto instala-se uma completa incapacidade para dirigir. O estado de desinibição alcança o auge.
• 1,7% - Ciclistas não são capazes de dirigir uma bicicleta.
• 2,5% a 3,0% - Instalam-se sinais de intoxicação. Estas alterações revelam-se na capacidade de percepção e reação, avaliação de si próprio e da realidade, a capacidade de resistência e confiabilidade, a indiferença e a passividade, prontidão de assumir riscos e agressividade no trabalho. O empregado embriagado é incapaz de efetuar um serviço ordenado e qualitativamente correto, cria situação de risco para si e para os outros. Sob condições normais, o corpo queima em media 0,1% de concentração de álcool no sangue por hora. Conseguir atingir estes índices é muito mais fácil do que queima-los depois. (REHFELD, 1989).

Tabela 1
A tabela a seguir mostra o aumento e a diminuição da concentração do álcool no sangue
durante as primeiras 5 horas após o consumo.

Bebida
Quantidade
Concentração de álcool no sangue depois de 5 horas
½ h 1 h 2 h 3 h 4 h 5 h
Cerveja 1/2 l. 0,3 0,4 0,35 0,2 0,1 0,0
Vinho 1/2 l. 0,6 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4
Champanhe 1/2 l. 0,7 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7
Licor 1 dose simples 0,2 0,35 0,25 0,1 0,0 0,0
Conhaque 1 dose simples 0,2 0,35 0,25 0,1 0,0 0,0
Cachaça 1 dose simples 0,3 0,45 0,35 0,2 0,1 0,0
Rum Wisque 1 dose simples 0,4 0,55 0,45 0,3 0,2 0,1

Fonte: ZIEGLER, H. Betriebliche Helfen Fuer Alkoholkranke (Ajudas da Empresa para Doentes de Alcoolismo)

3.Prevenção

O consumo de bebidas alcoólicas não somente tem raízes culturais, como também está
Presente em muitas manifestações religiosas, a bebida alcoólica participa da vida cotidiana como ingrediente normal, tem significativa expressão no contexto econômico e é legalmente aceita pela sociedade. Enfim, o álcool tem profundas raízes no comportamento da sociedade.

Quem se importa na realidade com as diferentes nocividades provocadas pelas ações do álcool ou do fumo, do açúcar ou do sal? Todos com consumo normalmente praticado, uns pela grande maioria, outros por expressivos segmentos da sociedade. “Prevenir quem contra o quê?” A resposta quanto ao objetivo da prevenção torna-se difícil, quando temos o conhecimento que em todas as épocas tiveram e têm suas drogas legais, e com toda a conveniência tributária para o Estado.Partindo da posição de que aproximadamente 10% (SENAD-2000) diretamente, tem algum grau de dependência alcoólica, portanto, qualquer ação preventiva não deve interessar a 90% da população.

Este raciocínio desestimularia qualquer iniciativa neste sentido, se não soubesse que o real campo de interesse é bem mais amplo, já que os 10% de pessoas efetivas, se distribuem entre aproximadamente 25% das famílias e num sentido mais amplo, de uma sociedade. Isto aponta que um substancial segmento da população esta sendo atingido indiretamente pela doença.

Seria utópico e até mesmo ingênuo, almejar uma sociedade livre de álcool, pois esta não somente teria que vencer obstáculos como uma milenar tradição ao lado de agradável paladar da maioria das bebidas, mas também a extrema facilidade com que qualquer pessoa poderia, a  partir de produção própria, suprir suas necessidades (há muitos livros com títulos tais como “Faça sua cerveja em casa”, “Licores caseiros” “Vinhos” etc. (REHFELDT, 1989)).

Os reflexos causados pelo abuso do álcool no trabalho têm motivado as empresas brasileiras a implantar “Programas de Prevenção e Recuperação”. A prevenção distingue-se entre:

Prevenção primária e secundaria/terciária, uma vez que a problemática, embora possa ser mais limitada em alguns aspectos, é a mesma. Apenas está localizada num universo mais limitado que, conseqüentemente, admite medidas mais, seletivas, mas, por isto mesmo, mais eficazes e promissoras. A prevenção primária corresponde a introdução de medidas estruturais naempresa, com o objetivo da humanização do trabalho no sentido mais amplo. Algumas profilaxias utilizadas têm sido as da intimidação, da informação e do treinamento comportamental e estratégias de controle, estas ações antecipatórias visam diminuir a probabilidade do início ou do desenvolvimento de uma condição (REHFELDT-1989).

XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004 ENEGEP 2004 ABEPRO 2482

Inclui-se aqui a educação para a promoção e medidas sociais e legais. Em alguns países europeus, as ações preventivas primárias se concentram em disciplinar a oferta e o consumo do álcool nas próprias empresas, o que, no Brasil, não é necessário, devidos à inexistência formal desse hábito, salvo em casos muito isolados ou de forma escondida, como por exemplo, a cachaça misturada ao café, e assim mesmo figurando como contravenção a dispositivos reguladores da relação trabalhista. Existem, porém medidas que procuram fazer frente ao abuso de bebidas alcoólicas com a utilização de estruturas empresariais:

• Treinamento de grupos de auxilio e a constituição de grupos de ajuda.
• Treinamento de pessoas difusoras de idéias (lideres, supervisores e outros).
• Instituição de equipes de trabalho e de planos de ação com especifica tarefa prevencionista.
(REHFELDT, 1989).

Um dos objetivos da Prevenção secundária é o estabelecimento de normas e procedimentos no tratamento individual do problema com os envolvidos. A preparação destas normas deve tanto obedecer aos princípios básicos da prevenção de dependência na empresa, garantindo uma melhor identificação com o programa. A meta global de todo o programa de prevenção e recuperação de alcoolismo é a interrupção definitiva do abuso do álcool e a obtenção da abstinência, a fim de preservar a saúde das pessoas envolvidas e garantir condições para um desempenho profissional normal.

A prevenção terciária consiste no complexo de ação que visam eliminar, ou pelo menos reduzir, as possíveis causas que possam redundar num retorno ao alcoolismo, ou o retorno a um aparentemente inofensivo beber “social”. A recuperação de um alcoolista jamais deve ser considerada como efetiva e completa no dia em que termina seu programa terapêutico ambulatorial. A reintegração do alcoolista na sociedade, principalmente no ambiente de trabalho, constitui um dos principais pressupostos para uma recuperação definitiva. Sua reabilitação social significa que reassumirá seus anteriores direitos e suas obrigações na sociedade, sem restrição, participando ativamente da vida social e se desenvolvendo levemente, de acordo com suas possibilidades.

As portas da virada do segundo milênio é cada vez maior o numero de empresas brasileiras e multinacionais que se sensibilizam com a gravidade e qualidade de vida dos funcionários, o estabelecimento de uma cultura capaz de enfrentar esta doença que é o alcoolismo.

As Empresas ESSO, SHELL, rejeitam fazer negócios com companhias que não tenham um plano de reabilitação e controle de drogas, seguidas pela American Airlines condicionou a negociação de compra de aviões com a EMBRAR ao ajuste de seu programa de controle de substâncias proibidas aos padrões americanos. A EMBRATEL trabalha com Programa de Prevenção e Reabilitação e ostenta orgulhosa a marca de 82% de reabilitação de funcionários dependentes. Os empresários descobriram que cada dólar investido na empresa em programas de reabilitação provoca o retorno de sete dólares sob forma de aumento de produtividade, redução de absenteísmo, queda na procura pelo departamento médico e o incomensurável benefício de preservação da imagem da empresa. As indústrias deixam de ver a dependência às drogas sob o prisma da legislação do trabalho, para encará-los como doença social e oferecer este benefício de forma espontânea.(REVISTA VEJA-p. 32 – 2002)

Conclusão
Este artigo teve por objetivo discutir a questão do alcoolismo nas organizações e justificar a necessidade de implantação de Programas de Prevenção e Recuperação de Dependentes Químicos. Considerando a relação de interdependência entre empregador e empregado, é fácil perceber a importância do que aqui foi apresentado. No século em que estamos as empresas estão sendo julgadas por seus compromissos éticos, pela ampliação do leque de benefícios espontâneos. Desta forma é preciso descaracterizar a imagem de que a empresa que implanta o programa de prevenção e recuperação tem caráter simplesmente assistencialista e paternalista de benefícios, a finalidade última da empresa é produzir, prestar serviços em busca de resultados mediante o emprego mais racional possível de fatores de produção que incluem acima de tudo o homem.

Na empresa decidida a enfrentar o problema do alcoolismo, é preciso implantar, organizar e acompanhar todas as estratégias e políticas no sentido de encarar a situação e querer solucioná-la com todos os envolvimentos necessários e utilização de todos os recursos que possam influir e atuar num trabalho racional e em conjunto, buscando soluções e não apenas paliativos frutos da emotividade de quem tem pena, quando deve ter coragem de decidir a favor de medidas mesmo momentaneamente dolorosas, mas posteriormente gratificantes com retornos positivos para o funcionário e conseqüentemente para a empresa.

Referências
Alcoolismo. http://veja.abril.com.br (14/03/04)
Álcool: o que você precisa saber. Manual SENAD –Secretária Nacional Antidrogas.
GUIMARÃES, Dra. Eliana A. M.; GRUBITS, Profª Dra. Sonia. Série saúde mental e trabalho. São Paulo: Casa do Psicólogo, Vol. 1, 1999.
KOSOVSKI, Éster. Plantão Médico: drogas, alcoolismo e tabagismo. Rio de Janeiro: Biologia e Saúde, 1998.
REHSELDT, Klaus H. G. Álcool e trabalho: prevenção e administração do alcoolismo na empresa. São Paulo: EPU, 1989.

 
 
 
 

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